- Espaço
Espaço – na Geografia (em outras ciências é diferente), o espaço é concebido como uma porção especifica da superfície da Terra, cuja interação entre natureza e ser humano, reflete na reprodução social e na construção da paisagem. (Prof. Geraldo Lopes)
Outros conceitos de Espaço Geográfico:
“espaço geográfico é a união dos elementos físicos e culturais da paisagem” (Prof. Roberto Lobato)
“espaço geográfico é a natureza socializada, pois, muitos fenômenos apresentados como se fossem naturais, são, de fato, sociais” (Prof. Milton Santos).
“o espaço é formado por elementos naturais ou artificiais construídos pelo homem, ou seja, a inter-relação existente entre sociedade e natureza delimitada numa porção da superfície terrestre.” (Prof. Humberto Catuzzo)
2. Paisagem
A paisagem é definida como tudo que é possível de se ver num lance de vista. Para facilitar esta percepção, a paisagem pode ser dividida em natural e cultural.
Paisagem natural – é a paisagem sem a ação modificadora do homem, ou seja, as bases geológicas (geognóstica) e climáticas (vegetacional).
Paisagem cultural – é modelada a partir de uma paisagem natural por meio de um grupo cultural. A cultura é o agente, a área natural é o meio e a paisagem cultural é o resultado.
Georges BERTRAND (1971, p. 2),
geógrafo francês, traz que “a paisagem não é a simples
adição de elementos geográficos disparatados. É uma
determinada porção do espaço, resultado da combinação
dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos
e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns
sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único
e indissociável, em perpétua evolução”. Não separa paisagem natural e cultural
“Não podemos
formar uma idéia de paisagem a não ser em termos
de suas relações associadas ao tempo, bem como
suas relações vinculadas ao espaço. Ela está em um
processo constante de desenvolvimento ou dissolução
e substituição. Assim, no sentido corológico, a alteração
da área modificada pelo homem e sua apropriação
para o seu uso são de importância fundamental. A área
anterior à atividade humana é representada por um conjunto
de fatos morfológicos. As formas que o homem
introduziu são um outro conjunto”. (SAUER, 1998, p.
42). Esta colocação sugere uma separação da paisagem
em natural e cultural, pois explicita que é o homem
que atua como sujeito de ação na natureza. Ao mencionar
a capacidade de transformação, ele projeta duas
possíveis formas de natureza, uma antes e outra depois
da apropriação humana, privilegiando a sucessão
histórica entre as duas.
Ainda em relação a esse conceito, CLAVAL (1999,
p. 420) colabora afirmando que “não há compreensão
possível das formas de organização do espaço contemporâneo
e das tensões que lhes afetam sem levar em
consideração os dinamismos culturais. Eles explicam a
nova atenção dedicada à preservação das lembranças
do passado e a conservação das paisagens”. Assim,
Paul Claval não só atribui ao homem a responsabilidade
de transformar a paisagem como destaca que diferentes
grupos culturais são capazes de provocar transformações
diferenciadas nela, criando assim uma preocupação
maior com os sistemas culturais do que com
os próprios elementos físicos da paisagem.
Lugar
No campo da Geografia Humanística este conceito surge no âmbito da sua
consolidação no início da década de 70. Sua linha de pensamento caracteriza-se
principalmente pela valorização das relações de afetividade desenvolvidas pelos
indivíduos em relação ao seu ambiente.
Dentre os grandes expoentes afins
a essa acepção destacam-se Edward Relph, Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer e J. N. Entrikin.
Para os seguidores da corrente humanística, o lugar é principalmente um produto
da experiência humana: “(...) lugar significa muito mais que o sentido geográfico de
localização. Não se refere a objetos e atributos das localizações, mas à tipos de experiência
e envolvimento com o mundo, a necessidade de raízes e segurança” (Relph, 1979). Ou
ainda, “lugar é um centro de significados construído pela experiência” (Tuan, 1975).
Trata-se na realidade de referenciais afetivos os quais desenvolvemos ao longo de
nossas vidas a partir da convivência com o lugar e com o outro. Eles são carregados de
sensações emotivas principalmente porque nos sentimos seguros e protegidos (Mello,
1990); ele tanto nos transmite boas lembranças quanto a sensação de lar (Tuan, 1975;
Buttimer, 1985a). Nas palavras de Buttimer (1985b, p. 228), “lugar é o somatório das
dimensões simbólicas, emocionais, culturais, políticas e biológicas”.
Base da reprodução da vida (vivência afetiva) e pode ser analisado pela tríade habitante-identidade-lugar. O “não-lugar” são lugares de passagem, como aeroportos, estradas, supermercados, local de trabalho etc., não existindo uma relação ou mesmo uma identidade com o individuo. Local esta relacionado a um determinado ponto de um lugar (coordenada geográfica)
Região
O conceito de região esta correlacionado com continuidade e contigüidade (vizinhança), possuindo delimitação e características semelhantes. Varia conforme as escolas geográficas. Tipos de regiões na Geografia:
Região Determinista: (o meio sobre o homem) região natural, ambientalista, descritiva, sem evolução, idiográfica, que segue as características físicas, qualitativa da Escola Alemã.
Região Possibilista: ( o homem sobre o meio) não estática, possui evolução, interação entre os elementos da paisagem, positivista. Escola Francesa.
Região Teor ética: (a matemática) também chamada de “Nova Geografia”, uso de modelos matemáticos, visão globalizada e métodos quantitativos.
Região Marxista: (o trabalho humano) também chamada de “Geografia Critica”, proposta com uma clara definição metodológica, fundamentada no materialismo histórico e dialético, baseado no marxismo. A delimitação da região na visão critica se dá a partir do melhor meio para a reprodução do capital, sendo o Estado apenas mediador entre mercado, capital e força de trabalho.
Região humanista: (tempo e cultura) utiliza-se do espaço vivido, numa revalorização da paisagem e uso da linha fenomenológica, não existindo a neutralidade. Na região humanista é considerada a consciência que o homem possui de diferentes espaços e padrões culturais, próprios de cada sociedade e tempo histórico.
Região Nodal: (a rede urbana) refere-se ao “nó” da circulação entre ao cidades (equivale às modernas regiões metropolitanas) influência do centro urbano sobre as demais áreas.
Região Histórica: (a historia) é toda historia da influencia progressiva do homem sobre o espaço(formas de apropriação agrícola, rural e urbana)que constitui o fator principal de unidade de paisagem numa certa porção do espaço(região).
Região Natural: (a natureza) refere-se à certas partes do espaço que o meio físico que marca mais nitidamente o conjunto da paisagem e, por conseqüência, delimitam a região.
Região Econômica: (a economia) é quando a amplitude da atividade industrial marca por toda parte a paisagem.
Território
"O território era, então, um dos elementos principais na formação do Estado de modo que, na concepção de Ratzel, o Estado não existiria sem o território".(Gomes, 1984, p. 20). Além disso, o território significava não só as condições de trabalho, mas a própria condição de existência de uma sociedade, definindo-se pela propriedade, isto é, uma área dominada por alguém ou pelo Estado".
Esta ligado ao poder, dominação e conquista. O território é todo espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder, podendo ser contíguo ou fragmentado, variando de um quarteirão dominado por uma quadrilha de traficantes e/ou até um bloco constituído pelos paises membros da OTAN.